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É vantajoso adquirir uma empresa em Recuperação Judicial?

7 de novembro de 2023
Publicado por 3Capital Partners

Com o valor das ações a preços mais atrativos, a compra de ativos de empresas em Recuperação Judicial é vista como uma excelente oportunidade de negócio por parte de investidores que desejam ampliar suas possibilidades de lucro.

Apesar disso, adquirir companhias nestas situações também implica riscos que devem ser calculados antes que as tratativas para a transação sejam abertas. Mas quais são esses riscos? No fim das contas, vale mesmo a pena?

Por que uma empresa entra em Recuperação Judicial?

Fatores como as crises econômicas que o país e o mundo enfrentam, aliados às dificuldades de gestão, são alguns dos principais responsáveis por fazer com que muitas organizações entrem em recuperação judicial, como um recurso para evitar que se consolide um processo de falência.

No Brasil, há um número expressivo de empresas que se encontram nesta situação e dados do Serasa Experian apontam que esses índices cresceram ainda mais neste ano de 2023 – mais precisamente, um percentual de 52% em relação a 2022, somando 593 companhias, isso somente no primeiro semestre.

Alguns casos se tornaram bastante difundidos e chamaram a atenção do grande público pelo porte das corporações que utilizaram este procedimento para salvaguardar seus funcionamentos – Americanas, 123milhas e Oi são algumas delas.

Em linhas gerais, a Recuperação Judicial possibilita que os débitos que a empresa acumulou sejam suspensos e que haja novas negociações para saná-los. O objetivo principal é traçar um plano de recuperação de possível execução que demonstre que a organização tem meios de se reestruturar com base nas renegociações dos seus passivos.

É importante lembrar que nem todas as modalidades societárias podem se valer deste expediente e os pedidos de recuperação devem ser realizados em juízo, por um advogado representante das empresas que se encaixem nos critérios exigidos.

Quais os pontos positivos de adquirir uma empresa em Recuperação Judicial?

Comprar ações de empresas que estejam passando por um processo de Recuperação Judicial pode representar uma oportunidade interessante para potenciais investidores e gestores que desejam ampliar suas participações no mercado.

Um dos fatores mais vantajosos se refere ao preço dos ativos, que tende a ficar muito abaixo do seu valor real. Outro diferencial positivo reside no fato de que grande parte dessas companhias já possuem uma participação consolidada no mercado, clientes conquistados e um fluxo operacional definido.

Do ponto de vista legal, é fundamental ressaltar que os passivos da empresa que tenta se recuperar juridicamente não são herdados por quem a adquire. O artigo 60 da Lei de Recuperação de Empresas e Falências é taxativo: as obrigações do devedor não são sucedidas pelo arrematante.

Também existem incentivos governamentais com o intuito de revitalizar os ativos produtivos dessas organizações, um exemplo é a linha de financiamento criada pelo BNDES para que elas sejam compradas mais facilmente e se mantenham gerando recursos.

Quais os riscos?

Mesmo com inúmeras razões que pesam positivamente na decisão de comprar uma companhia que esteja em processo de Recuperação Judicial, os riscos existem e precisam ser analisados com atenção.

E os questionamentos devem começar por aquilo que é mais elementar: quais as razões que levaram a empresa a recorrer a meios jurídicos para evitar sua falência? Será que este é, de fato, um negócio com garantia de rentabilidade? A gestão anterior deixou problemas estruturais e administrativos difíceis de serem solucionados?

Como estamos lidando com empresas em uma situação pré-falimentar, a análise da situação financeira existente deve receber um cuidado especial, para que o barato não saia caro e a adquirente não encontre dificuldades maiores pela frente.
O próprio desenrolar da Recuperação Judicial pode comprometer os desdobramentos futuros da corporação, afinal, a possibilidade de que ela não seja bem-sucedida existe.

Para ter a certeza se a oportunidade de aquisição é boa, ou não, contar com uma assessoria especializada fará toda a diferença, especialmente na etapa de due diligence, que será crucial para avaliar todas as questões inerentes ao funcionamento atual da organização. A 3capital está sempre pronta para prestar este auxílio.



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